Os 4P´s do Marketing Político
O conceito dos 4 P´s desenvolvido por Jerome McCarthy e difundido por Philip Kotler pode ser aplicado em qualquer área. Porém, todo segmento tem as suas especificidades. E no Marketing Político, não é diferente.
A definição do "Composto de Marketing" é representada em 4 pilares para elaborar estratégias: Produto, Preço, Promoção e Praça. De forma resumida, cada item significa:
Produto: Quais atributos, nome e aparência? Como será uado? São algumas das perguntas que precisam ser respondidas para se chegar ao produto desejado.
Preço: É preciso definir qual o valor do produto
Promoção: Onde será anunciado o produto? Qual padrão de mercado? Quando anunciá-lo?
Praça: Onde será distribuído? Como será encontrado?
No Esporte, por exemplo, trabalha-se com um "P" a mais: PAIXÃO. A questão emotiva e do afeto é fundamental na estratégia de quem atua neste setor.
Os 4 P´s do Marketing Político
Com base nesta mesma definição, é possível adaptar o Composto de Marketing dos 4P´s para a linguagem da Política Eleitoral e facilitar o entendimento de como deve-se criar a estratégia para uma campanha. O Mix do Marketing Político pode ser definido como: Candidato, Posicionamento, Distribuição, Relacionamento.
Candidato
É preciso definir não apenas o nome que o candidato irá carregar durante a campanha, mas, principalmente, qual a história de vida que este candidato carrega. A construção dessa narrativa é fundamental para que o eleitor se identifique com a pessoa que ele poderá votar.
Vamos criar nosso candidato: Renato Cabral da Silva. Ele tem 40 anos e é professor do Ensino Médio. Todos alunos conhecem ele simplesmente por Cabral. Qual nome ele deve usar na campanha:
a) Renato Cabral
b) Renatinho
c) Cabral
É claro que ele deve escolher ser chamado de Cabral. Afinal, é assim que o principal público dele o conhece há muito tempo. Porém, há um outro ativo importante. Nosso personagem fictício é professor e, por questões claras, irá defender a bandeira da Educação. Então, nosso candidato será: Professor Cabral. Dessa forma, só pelo menos, o eleitor rapidamente o identifica. E ainda, não será confundido com o Cabralzinho, um outro candidato de um segmento qualquer.
Posicionamento
Aqui está a cereja do bolo. A criação de um posicionamento deve levar em conta todo o contexto político, econômico, social e cultural da cidade. Entretanto, uma coisa é fato: ele precisa ser claro, simples de ser compreendido e fazer sentido para o público que você deseja atingir.
Compreender os anseios, necessidades e desejos do seu público é primordial para encontrar a mensagem correta que o candidato precisa transmitir. Vale ressaltar, que esta mensagem deve fazer sentido ao candidato, para que ele faça isso com brilho no olhar e sendo verdadeiro. Criar mentiras apenas para se eleger é um erro, tanto profissional quanto pessoal. Não faça isso jamais.
Inicie a criação do posicionamento definindo qual bandeira e/ou qual temática o candidato irá defender. Ou em qual região ele pretende atuar. Levante o maior número possível de informações. Por fim, faça um exercício: escreva numa folha os pontos fortes e fracos do candidato. Foque a narrativa no que há de bom e busque melhorar aquilo que existe de ruim, criando vacinas para estes problemas.
O slogan deverá sair desta análise, enaltecendo aquilo que há de melhor e fazendo um link com a temática escolhida. E te mais: é preciso compreender em qual imagem o candidato se encaixa: Pai, Herói, Homem-simples, Líder-charme. Mas isso, fica pra outro post.
Distribuição da Mensagem
Não existe comunicação sem o canal onde a mensagem do emissor chegue ao receptor. Ou seja, o candidato precisa ter um meio para falar ao eleitor. As redes sociais e aplicativos de mensagens são os meios mais rápidos para isso e compreender as funcionalidades de cada mídia é fundamental. Porém, jamais deixe de lado o contato pessoal. Principalmente em campanhas proporcionais (vereador/deputado), o contato é fundamental. Mas lembre-se que nem só de Internet vive o homem.
Há outros meios para que seu posicionamento chegue ao eleitor. Busque espaço em jornais por meio de ações relevantes ou veja se sua região tem rádio comunitária. Se nada disso for possível, Deus lhe deu uma boca. Converse com as pessoas e espalhe sua mensagem. Seja como for, uma dica: inicie isso com a maior antecedência possível.
Relacionamento
Imagine que uma boa quantidade de pessoas irá acordar num domingo e deverá pensar assim: Hoje vou sair de casa pra votar no Professor Cabral. A decisão do voto percorre um caminho longo e árduo, repleto de obstáculos.
Quando a mensagem do candidato chega ao eleitor, ela precisa ser codificada e compreendida perfeitamente para que o casamento aconteça. O voto é igual um romance com final feliz no dia de trocar alianças. A esposa não diz sim no primeiro encontro e nem aceita se casar com alguém que conheceu há 45 dias. É preciso tempo e relacionamento. E o pior. Deve ter uns 500 interessados na sua noiva. Você precisa ser melhor do que todos eles.
Não basta apenas ter uma boa biografia, uma mensagem bem posicionada e canais de comunicação funcionando. O eleitor deseja interação. O eleitor deseja conversar com o candidato. O eleitor deseja ser ouvido. Um aperto de mão entre amigos não se dá após um monólogo na mesa do bar, mas sim depois de muita conversa e bate-papo.
O candidato precisa fomentar o eleitor com informações relevantes, com conteúdos que mostrem benefícios que a comunidade terá em ter o candidato eleito. E esse fomente deve ser contínuo. Pra isso, o Whatsapp e uma dose de bom-senso são fundamentais para a relação, mas sem ser aquele tio chato do grupo da família que manda bom dia, boa tarde e boa noite e foto do prato do almoço e da janta.
Lista de transmissões funcionam bem, melhor do que grupos. Responder comentários na rede social é uma obrigação. Buscar o contato inbox de quem curte, comenta e compartilha gera novos relacionamentos.

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