O jogo das máscaras no discurso político #01
A máscara não é necessariamente o que esconde a realidade. Na cultura ocidental é verdade que ela tornou-se um objeto relacionado a fraude, onde há, inclusive, o adjetivo de mascarado para uma pessoa que é falsa. Quanto mais oculta a máscara, mais ela simula a "nova realidade", ou seja, pode ser vista uma aparência que pode não representar a verdade. É uma representação do Ser contra o Parecer.
Porém, a máscara também é um símbolo de identificação, a ponto desta dualidade entre o ser e o parecer se confundir entre quem é a pessoa e quem é o personagem. A divisão entre o verdadeiro e falso não existe mais. Nas Ciências da Linguagem, como no Círculo de Bakhtin, aprende-se que há um sentido em todo ato de linguagem, sendo este o resultado entre o sujeito que enuncia e outro que interpreta, cada qual agindo em função daquilo que imagina e conhece do outro. Pode-se dizer, portanto, que a identidade desses sujeitos não é nada mais que a imagem construída que resulta desse encontro. De forma mais direta, cada um é para o outro apenas uma imagem. Não necessariamente uma imagem falsa ou uma aparência enganosa, mas a leitura do outro sobre a máscara que empunhamos.
Em nosso cotidiano, várias máscaras são possíveis, dependendo das circunstâncias em que vivemos. Somos capazes de substituir as máscaras com certa rapidez e encontramos nos outros essa mesma mobilidade de criação de novas imagens. A máscara é o que constitui nossa identidade em relação ao outro. Como explica Patrick Charaudeau, no que é dito há sempre o que é dito e o que não é dito; um não dito que, entretanto, também se diz.
O discurso político é, por excelência, o lugar de um jogo de máscaras. Toda palavra dita deve ser analisada por aquilo que ela diz, mas também pelo que ela não diz, jamais sendo tomada ao pé da letra.
Aristóteles, no livro Da Retórica, dizia que "há, pois, grande proveito para a persuasão, não apenas nas deliberações, mas também nos tribunais, mostrar-se-ia mesma sob determinado aspecto e fazer supor aos ouvintes que temos para com eles determinada disposição e, além disso, que eles próprios encontrem-se nesta ou naquela disposição para com o orador".
Como se instaura este jogo de máscaras no discurso político? Esta resposta será debatido aqui neste espaço ao longo deste mês de Agosto. Fique ligado!!

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