O que você tem a ver com a política?

Política não se discute. Não entendo nada de política. É tudo ladrão, nem perco tempo. Essas são respostas comuns quando as pessoas são questionadas sobre política e sua relação com o tema. Em nosso cotidiano, quando se trata do assunto, geralmente é relacionada a algo ruim e distante do dia a dia, como se fosse assunto apenas para especialistas ou políticos. Também é natural que muitos pensem a política apenas como o ato de votar no dia da eleição. Mas será que é só isso, mesmo? Afinal, o que você tem a ver com a política?

A palavra “política” é derivada do termo grego “politikos”, que designava os cidadãos que viviam na “polis”. “Polis”, por sua vez, era usada para se referir à cidade e também, em sentido mais abrangente, à sociedade organizada.

Onde quer que haja duas ou mais pessoas, haverá a necessidade de definir regras de convivência, limites de ação e deveres comuns. A política acontece justamente no ato de existir em conjunto

Dessa forma, a origem da política remonta à participação na comunidade, à vida coletiva. Bem diferente do que se costuma pensar sobre a política como algo limitado aos políticos profissionais e longe do nosso cotidiano.

O filósofo grego Aristóteles definiu o ser humano como um animal político, ou seja, um ser que inconscientemente busca a vida em comunidade, porque suas necessidades materiais e emocionais só podem ser satisfeitas pela convivência com outras pessoas.

A política não é uma atividade de um dado grupo. Ainda que exista, no dizer de Weber, quem vive da ou para ela. Isso, contudo, está longe de transformá-la em algo particular, própria dos políticos.

A política está relacionada com aquilo que diz respeito ao bem público, à vida em comum, às regras, leis e normais de conduta dessa vida, nesse espaço, e, sobretudo, ao ato de decisão que afetará todas essas questões. Em suma, a política foi criada para regular os conflitos sociais.

É importante se informar e participar da política, pois ela é a condução da nossa própria existência coletiva, que será refletida na nossa experiência individual, ou seja, na nossa educação ou não, na nossa saúde ou não, na nossa oportunidade de acesso ou não.

Ou seja, não se trata de um mecanismo exclusivo de políticos e muito menos envolve apenas discursos, eleições e promessas falsas. Não é algo distante de nós; pelo contrário, faz-se presente em nossas vidas, por menor que seja o assunto abordado.

Preço do combustível, buracos na rua, preço do alimento, falta de vaga em creche, posto de saúde lotado, trânsito caótico, transporte urbano ruim, etc. Esses são problemas comuns do dia a dia e suas resoluções dependem da atuação política. E essa atuação sempre começa nas cidades, nos bairros, na rua onde mora. Participar da política não é apenas sendo político, mas cobrando resolução, propondo ideias por meio, inclusive, das mídias sociais, levando o problema ao político mais próximo. 

A política, para Aristóteles, começa no seio familiar, na convivência entre familiares, e depois se expande para o resto da sociedade

A política foi criada para que possamos debater discutir e questionar questões, sem que seja preciso a utilização da violência. Por meio dela, foram estabelecidas regras, leis e normas, bem como o estabelecimento de direitos e deveres para conduzir as nossas ações.

Em 2022 muitos políticos aparecerão para conversar. E que bom que é assim! É momento de cobrar os grupos políticos a pensarem também em um projeto de participação popular, onde a sociedade tenha meios acessíveis de se fazer ouvida.

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